O cara meio nerd, meio cult e muito cool – esse não é o planejamento.
Marcelo Bazan
Gerente de Planejamento da F/Nazca S&S
@marcelobazan
Na época de faculdade a maioria dos colegas dividiam seus desejos por vagas no atendimento, no cliente e especialmente na criação. Poucos gatos pingados declaravam o sonho de ser mídia ou planejamento. Tenho notado de um tempo pra cá, que a realidade é outra, cada vez mais vejo os universitários aspirando a uma vaga no planejamento quase tanto quanto os que declaram querer ser da criação.
Tudo isso faz parte por um lado do crescimento da área de planejamento como um todo, mas muito também pela criação de uma imagem estigmatizada do cara meio nerd, meio cult e muito cool. Só que o que muitos ainda não entenderam é que essa “cara de conteúdo” precisa ir além da cara.
O planejamento se faz desenhando estratégias, e não lendo mangás; se faz estudando o cliente, e não assistindo filmes europeus; se faz indo pra rua pra conversar com consumidores e não zapeando no Coolhunter; se faz gastando as teclas do teclado e as cargas de caneta e não com um par de óculos bacana e uma camisa xadrez.
(Com exceção dos óculos e do mangá, tenho muito desse outro lado que me ajuda muito no dia-a-dia, mas que não é planejamento.)
Planejamento é dar a opinião e ajudar o grupo a focar no mesmo problema. É um cuidado constante com o resultado e com a marca, é o entender o que está por trás de números e mais números de pesquisas, é o bom e velho contar uma história com começo, meio e fim.
Por isso e por tantos outros motivos ele não é um cara, e não é uma habilidade. Planejamento é um grupo de caras, todos completamente diferentes e que conseguem, dentro das suas inúmeras visões de mundo, traçar caminhos para chegar a uma boa comunicação. Tanto o planejamento não é um cara, que muitas vezes o primeiro passo de um bom planejamento pode sair da mídia, da criação, do atendimento…