E o que fazer com os seniors?

É fato que as pessoas que chegam aos 50 anos hoje estão muito mais ativas do que há 15 ou 20 anos atrás. A aposentadoria ficou para mais tarde, a medicina (e os cosméticos) ajudam a ter uma aparência mais jovem.Outros se divorciam e casam novamente, homens decidem ter filhos com suas esposas mais jovens e por aí vai…

Quando se tornam cinquentões(onas), geralmente percebem que ainda tem mais 20 ou 30 anos pela frente para viver bem e muito diferente do velhinho aposentado e resignado de antigamente. Isso também não significa que ser o “vovô nota 10” que pula de paraquedas, isso é extremo e também é rejeitado. Mas será que a comunicação vem acompanhando este movimento?

Tenho algumas dúvidas. Se olharmos para marcas como Centrum, L’Oreal e Viagra pode ser que sim, mas duvido um pouco que eles busquem somente estes produtos. Já ouvi algumas vezes que a propaganda trata este público como se fosse o abismo da “Família Dinossauro”: envelheceu, não serve mais para muita coisa e só resta ser jogado do penhasco. Forte, né? Mas com exceção das marcas citadas acima, são poucas que falam com eles. Talvez não seja o target, ok,mas talvez eles estejam sendo negligenciados mesmo.

Este vídeo da L’Oreal exemplifica um pouco esta fase:

E os seniors vêm se tornando cada vez mais representativos em termos de poder de consumo. De acordo com o IBGE, os 50+ serão 17,7% da população brasileira em 2018 contra os atuais 11,8%.O nível de renda é, em média, o dobro da faixa entre 30 e 40 anos. Faz sentido: com a estabilização da economia dos anos 90 é mais fácil pensar em desacelerar o ritmo de trabalho (ou se aposentar) mais confortavelmente.

Um exemplo de quem entendeu bem como lidar com os seniors é a inglesa Saga, um conglomerado de serviços e produtos vendidos online que hoje conta com cerca de 3 milhões de clientes. Eles vendem de tudo: seguros de saúde, cruzeiros, pacotes de viagem, serviços de advogados, programas de voluntariado na África e há até uma livraria online.

O insight que liga tudo isso é o mesmo: ainda tem muita vida depois dos 50 e isso não significa necessariamente ser um “jovem-senhor”aventureiro, mas sim a ressignificação da vida que levavam até agora. Os filhos já saíram de casa e o ninho está vazio, alguns casamentos acabam (a taxa de divórcios nesta faixa é alta) e outros começam (o número de casamentos também é grande). É uma fase intermediária entre os adultos e os idosos, mas que tende a ser cada vez mais duradoura.

Vocês conhecem marcas que se comunicam com este público de um jeito interessante e mais “atualizado”?