Unplanned

Você já está demitido e não sabe.

Não. E não é culpa da crise, até por que elas vem e vão.
Existe uma coisa chamada crescimento exponencial, e isso faz o mundo andar cada vez mais rápido. Do crescimento da população ao desenvolvimento de novas tecnologias, velocidade de obsolescência das coisas e grandes mudanças culturais.

Um ser humano inventou o Uber e destruiu o esquema do taxi.
Outro, o Whatsapp e matou o sms, telefone e a porra toda.
O smartphone transformou operadoras de telefonia (existe?) em distribuidoras de banda.
Você paga sua tv a cabo e nem assiste.

E mais mil exemplos desses. E assim caminha, rapidamente, a humanidade.

E aí vem a pergunta: Por que caralhos esse treco não há de pegar a nossa indústria?
Se quiser se basear na fé, talvez encontre um pensamento mágico que nos salve.
Dirão os céticos: “sempre existem os cavaleiros do apocalipse, que diziam que tal coisa ia morrer, e tal coisa ia matar tal coisa”. De fato, não necessariamente uma coisa mata a outra.
Mas sim, uma coisa mata a outra se essa outra não olhar pra dentro e se reinventar.

Deixando de lado a fé, vamos voltar aos fatos.


– Quanto vale a marca Uber? Como ela se fez? Quanto de comunicação investiu? Qual o jeito de fazer e quanto tempo levou? O mundo todo conhece o Uber tanto quanto grandes marcas globais.

– E os estudantes de cinema de Berlim que fizeram um filme (Que filme!) para a Johnnie Walker. Visto pelo planeta. Aplaudido pelo planeta.

– A Netflix com faturamento gigantesco ameaça o negócio da TV. A queda de audiência de quem ainda protege o modelo de negócios no Brasil. Os bureaus de mídia pelo mundo e o jeito como a própria disciplina tem se reinventado, com aprofundamento de ROI e mensuração, mídia programática, customização de canais, etc.

– Indústria automotiva em pânico (e excitação) com os carros que andam sozinhos. Os Ubers que andam sozinhos. Os drones que levam pessoas pelos céus. Os drones Uber que farão a humanidade chegar no De Volta para o Futuro. O Google é concorrente e/ou parceiro de todo mundo. Até de você. Indústria alimentícia repensando tudo. Bancos, Imóveis, Escolas, Supermercados.


– A morte de todos os tipos de agentes, que não faziam nada mais que ser agentes.

Corretores de imóveis, agências de turismo, operadora de hotéis, cartões de crédito tradicionais, cooperativa de táxi. Fim dos intermediários que não tem um valor além de, simplesmente, intermediar.

 

– Falência moral e/ou financeira das instituições duras: Fifa, governos e classe política, Sindicatos, Grupos disso ou daquilo. O Vaticano, por exemplo, tenta desesperadamente com o Papa Francisco se conectar a outros tempos, outros valores, sobreviver.

– Os Youtubers e influencers com mais reputação, audiência e moral que os velhos atores de sempre, da novela de sempre. Qualquer um pode ser a nova sensação do último minuto da próxima semana. Blogs de alguns clubes de futebol fazem trabalho muito mais sério e relevante que muitos (falsos) jornalistas mumificados nas arcaicas editorias com interesses comerciais. Vemos hoje tentativas da TV de incorporar linguagens de internet (Adnet é um bom exemplo). Antes tinha um papo de “isso é coisa pra internet”. Acabou. Ninguém entra mais na internet. A vida é uma internet.


E diante de toda essa loucura, a primeira tentativa é a mais banal: protecionismo.
CBF peitando a Primeira Liga com ameacinha coronelista, boba, colegial.
TV’s tentando apavorar a Netflix. Processos contra o Whatsapp.
Taxistas enfiando porrada no motorista do Uber.
Em vão.
É tipo o velho casamento, que só se mantinha por causa de um papel. Separar era feio, e isso protegia a instituição casamento (e nos bastidores todo mundo fazia de tudo).
Protecionismo é coisa do século velho.
O negócio é: Entenda a mudança e, como diz a Dori pro Nemo, o peixe: “Continue a Nadar”.

Perdemos, playboy.

O seu jeito de fazer não funciona mais. O que você faz será feito de outro jeito.
A proposta de valor da sua empresa não será a mesma. A ferramenta não será a mesma.
A estrutura da empresa ou necessidade dos clientes não será a mesma.
O velho planejamento e o planejar não funcionam mais. Que venha o novo Unplanned.

Mas cá entre nós, que tesão viver nesse mundo, não?

Nunca foi tão fácil aprender.
Nunca foi tão acessível se conectar com gente que pode ajudar.
Nunca foi tão interessante mensurar
Nunca foi permitido errar como se pode errar e corrigir hoje.
Nunca foi tão convidativo e rápido mudar, rever, construir.

Enfim. A mudança é forte e rápida.

De alguma maneira, ela irá chegar até você.

E por isso você já está demitido.

Demitido do seu velho você. Do que ele fazia, pensava e agia.


E, na minha opinião, esse é o primeiro passo para que alguma transformação aconteça.

Precisamos profissionais pra transformar, por exemplo, as agências.
Dar uma nova perspectiva, sustentabilidade e relevância na vida das (novas) companhias.
Resgatar o respeito, o papel, a estratégia, o espaço, o talento, a motivação.

Vamos assistir todo mundo querendo ir trabalhar em qualquer outra coisa? A fonte secar?
Saber que estamos ameaçados pode ser um combustível pra nos fazer acordar mais cedo, prototipar coisas, tentar o que ninguém tentou. Inverter ou subverter a lógica.
Cruzar agência de propaganda, lab de inovação, startup, academia, engenharia, tudo!
Chamar a responsa.

O Unplanned também foi demitido. Por nós mesmos: Eu e Carlos.
Percebemos e repensamos. Ganhamos uma nova vida.
Muito mais legal, inspiradora, e em busca de ter maior relevância.

Uma vida que quer se plugar num mundo mais flexível, inspirador, democrático, orgânico e de possibilidades infinitas. Sem a demissão, nada aconteceria.

Mês que vem, o nosso projeto vai pro ar.
Pra inspirar a gente a repensar a gente.
Se desplanejar, como diz o nosso posicionamento.
Afinal, esse mundo dá, ao mesmo tempo, medo e tesão.

A questão é:
Você vai abraçar sua demissão virtual e começar a tentar mudar?
Ajudar sua empresa nisso? Caminhar, evoluir?
O resto é fé. E choro.

André Foresti
Fundador do Unplanned
Diretor de Planejamento da F/Nazca S&S

Obrigado! Você ficará sabendo assim que o Unplanned entrar no ar.