João Gabriel Fernandes: ‘Um talento só não leva ninguém pra muito longe’.

Escrevo no dia 16/09/2010. Hoje os jornais esportivos estão falando de 2 grandes assuntos: da vitória do Corinthians sobre o líder Fluminense e de mais um episódio polêmico envolvendo o jovem craque Neymar.

Desta vez, após perder alguns pênaltis debochadamente cobrados em outras partidas, Neymar não foi autorizado pelo técnico a bater a penalidade sofrida por ele após uma linda jogada. O jovem e ambicioso craque já vinha discutindo com os colegas em campo antes disso. E após o pênalti ser batido e convertido por outro jogador, Neymar passou a xingar seu técnico e seus companheiros. Passou também a forçar dribles pouco objetivos, a dançar na frente da bola e a sonegar passes a companheiros melhor posicionados. O Santos venceu a partida, mas ao seu final a torcida cantava apoio ao técnico e cobrança ao jovem jogador.

O Neymar joga muita bola, faz lindos gols, dá dribles poderosos. Mas junto com eles há também uma coleção de atitudes negativas que já tem feito com que muitos especialistas e colegas de profissão questionem o seu futuro como craque. (http://bit.ly/dtcbz9).

Minutos depois do incidente, Neymar usou o seu twitter (!?) para dizer ao técnico que “tamo junto, professor”.

É daí que vem a minha dica para os jovens planners do futuro, quer você vire um planner no futuro, quer tenha outra profissão:

Jogar muito é pouco.

Um talento só – como jogar bola bem ou planejar bem – não leva ninguém pra muito longe. Qualquer atividade é formada por várias habilidades. Dentre as quais talvez a mais importante seja a de realmente “tá junto”.

Neymar é fominha. Acha que resolve sozinho. Quer ter mais chances de gols que todos. Não valoriza a parceria do técnico e dos companheiros de clube. Não ouve os conselhos dos craques mais velhos. Não aparenta dividir o sucesso. Não procura ajuda quando apanha. O garoto com potencial se deslumbrou com alguns lances bonitos e com seus 2 primeiros títulos. E acreditou tanto no seu “algum protagonismo” que está se perdendo nele. Esquece que a carreira é formada por diversos campeonatos e que a sua profissão, assim como a nossa, depende tanto de técnica e lances criativos quanto de vínculos , de equipe e de vontade para realizar um objetivo coletivo.

Enquanto isso, no Rio de Janeiro, o jovem Jucilei fazia uma apresentação de gala, com direito a um gol, alguns dribles objetivos, passes e desarmes preciosos que ajudaram sua equipe a ganhar do líder. Equipe essa que, minutos antes de entrar em campo, fazia um pacto coletivo para que todos dessem sua vontade por aquela vitória (http://bit.ly/do48OL).

Neymar e Jucilei foram chamados pela primeira vez para a Seleção Brasileira há alguns dias.

Acho que os 2 vão chegar longe. Mas um deles sofre mais riscos.

@joaogabriel_