Qual é o objetivo da BIG IDEA?
Thaysa Azevedo
Planejadora
@thaysaazevedo
Esta semana ouvi um discurso ferrenho sobre a BIG IDEA ter que, necessariamente, nascer no Planejamento com base em insights que venham do consumidor.
Sim. Ouvir o consumidor é muito importante e, muitas vezes crucial. E sim, o Planejamento pode ser a área que, na maioria das vezes consegue chegar à BIG IDEA.
Porém, tenho três contrapontos a fazer sobre esta questão:
1 – Para que se consiga profundidade e resultados inspiradores em pesquisas com o consumidor é necessário tempo. Tempo para se organizar, para achar as pessoas certas, para ir à campo, para pré analisar as informações captadas e voltar à campo novamente… Não adianta do dia para a noite querermos falar com quatro ou cinco “gatos pingados” (geralmente parentes ou amigos) de forma corrida e nos vangloriar de que fazemos bate papos imersivos com o consumidor e que, portanto, essa BIG IDEA representa o que todo o grupo de consumidores da respectiva marca pensa. O máximo que conseguimos num tempo tão curto, são referências.
2 – Nem sempre a BIG IDEA surge do consumidor ou do planejamento estratégico. Na era do Progresso Compartilhado não existe espaço para ego ou quaisquer fluxo de trabalho ditatorial. O espaço é totalmente ocupado pelo trabalho integrado. Caso exista uma única BIG IDEIA, esta deve sair da integração de pensamentos, ficando os autores na posição de coadjuvantes e não de atores principais. Com relação à fonte dos insights, por vezes pode ser o próprio produto, a própria estratégia do cliente ou até mesmo convenções de mercado que saltam aos olhos para serem quebradas. A equipe do Steve Jobs, por exemplo, não dependeu da pesquisa com o consumidor para tomar a decisão de lançar o iPod, justamente por saber que eles não estavam preparados para avaliar tamanha inovação.
3 – Muitos profissionais estrangeiros e autores de livros ligados a área de planejamento já começaram a falar sobre a queda de uma única BIG IDEA num plano de comunicação integrada. Muitos falam sobre várias ideias que se conectam entre si e ao momento da marca e que juntas tornam-se representantes da essência desta marca. É um novo olhar em detrimento do tradicional modo de pensar.
Em suma, a BIG IDEA do momento está em entender que para fazer parte da era da Interdependência e do progresso compartilhado é necessário abrir mão de posturas extremistas e ser suficientemente maleável ao lidar com os processos (principalmente quando não há prazo), fluxos de trabalho e com as diferentes pessoas ao seu redor. Cada cabeça uma sentença. Novas sentenças são geradas do conjunto de diferentes cabeças que buscam alcançar um objetivo comum.
A pergunta é: Qual é o seu objetivo? Fazer um bom trabalho para o seu cliente? Então, junte-se com cabeças afins e siga em frente.
- Parte 1: Luc Ferry e a revolução do amor
- Parte 2: Comunicação Iluminando Mentes no TEDxESPM
- Parte 3: Aonde foi parar a segmentação?
- Parte 4: Ressignificando tempo, espaço e acordos culturais
- Parte 5: Confiança: A nova alma do negócio.
- Parte 6: Convergências entre Zygmunt Bauman e Edgar Morin
- Parte 7: Hierarquia centralizadora ou autonomia compartilhada?
- Parte 8: Mudanças por uma nova era
- Parte 9: Qual é o objetivo da BIG IDEA?
- Parte 10: O Progresso Compartilhado nas relações de trabalho
- Parte 11: Quanto vale o show?
- Parte 12: O Admirável Mundo Novo de Miguel Nicolelis
- Parte 13: Shirin Ebadi e seu propósito de vida
- Parte 14: Eduardo, Mônica, Vivo e uma revisão de conceitos
- Parte 15: Onde Publicidade e a Arte se Encontram
- Parte 16: Fredric Jameson e a Estética da Singularidade
- Parte 17: O Desafio está Lançado
- Parte 18: A Publicidade no Pós 11 de Março Japonês
- Parte 19: One-to-One Contemporâneo: Foi dada a largada.
- Parte 20: On-Line e Off-Line: O que é isso mesmo?
- Parte 21: Dança das Cadeiras
- Parte 22: Qual será o próximo jogo?
- Parte 23: A Generosidade Embarcada
- Parte 24: Ensaio sobre as Férias – Parte 2 AS VIAGENS
- Parte 25: Ensaio sobre as Férias – Parte 1 A PAUSA
- Parte 26: Aprendizados da Semiótica
- Parte 27: Remoto-Controle
- Parte 28: De onde vem?
- Parte 29: Juntos pela Democracia Participativa?
- Parte 30: Um Mundo de Descobertas via Instagram
- Parte 31: Que venham as mudanças
- Parte 32: Quantos “Ípsilons” existem em sua equipe?
- Parte 33: Feudalismo Contemporâneo?
- Parte 34: A grande virada
- Parte 35: E a segmentação?
- Parte 36: Pulgas por trás do caso Scott Pilgrim vs. the World
- Parte 37: A Conferência do Grupo de Planejamento 2010
- Parte 38: Progresso Compartilhado. Um Sentido MAIOR para a Propaganda.
- Parte 39: Planejadores Brilhantes?
- Parte 40: O futuro, ao mundo colaborativo pertence.
- Parte 41: Levando o Aprendizado Contínuo para Dentro de Nós
- Parte 42: A Era da Interdependência já chegou para você?
- Parte 43: Brilho Eterno de uma Mente Curiosa
- Parte 44: Propaganda Eleitoral: Pior do que está, não fica.
- Parte 45: O Grande Aprendizado do New Brand Communication 2010